sábado, abril 29, 2006

Mar Meu }{ Poema


Ofereço-te um copo de rosas
Um buquê de águas calmas
A cama para sentar-se comigo
Uma cadeira para dormirmos juntos

Te dou a maravilhosa vista da rua cinzenta
Ou brisa do mar no quadro da parede
Beijos durante o expediente
Fotos para ouvir e palavras para ver

Comporei quadros, pintarei músicas
Desenharei palavras e escreverei imagens
Levarei a ti perfumes comestíveis
Ou guloseimas aromáticas para o jantar

Amor imenso como um átomo, presente em tudo
Quente como o Pólo Sul, sempre fascinante
Forte como uma criança, inocente e sincero
E vivo como o Sol, que um dia apagará

Moveria o mundo da órbita
O faria rodar ao contrário
Tudo para te ter ao meu lado
Sempre te ter ao meu lado

Sei, para você o tudo é pouco
Para mim o pouco é tudo
Só peço que sorva um gole
Dos litros de amor que ofereço

Leonardo Araújo, 19 de maio de 2003.

quarta-feira, abril 26, 2006

Meu amor... }{ Poema


Amo uma pessoa que me ama,
Mas não como quero,
Sou amado ao mesmo tempo em que estou isolado,
Em um mundo sem amor.

Sou amado por aqueles que me rodeiam,
Amo uma pessoa que me ama de um modo diferente ao meu,
Não consigo compartilhar o amor que sinto com outro alguém.

Certa vez a ti pedi um beijo amor,
Mas tu não me fizeste feliz,
Em tua cabeça pensamentos voam,
Em teu corpo sentimentos se espalham de um modo surpreendente.

Tua resposta caiu como uma bomba sobre mim,
Amor, não poderia falar para todos quem tu és,
Mas tu amor, és tudo para mim,
Neste momento digo quem tu és, meu amor,
Teu nome é...

Leonardo Araújo, 15 de junho de 1997.

_Post script:

Dizem que: "Para tudo há uma primeira vez.". Eu não creio nisso, mas neste momento fui tentado à usar o bordão. Este foi o meu primeiro poema, ou pelo menos o que eu tenho datado mais antigo. Quase nove anos se passaram desde que escrevi estas linhas. Este foi escrito no colégio, em minha época de ginásio. É antigo, mas eu gosto muito. E espero que vocês, queridos leitores, também gostem.

Os que não são novatos neste humilde blog, com certeza notaram o banner do Coke ring acima da áera dos posts. É que o Atômico foi selecionado para o short list do concurso, ou seja, o blog está com um pé no Top 10 da categoria "Viva o que é bom". Uma excelente notícia que me dá mais ânimo para continuar. Agradeço a todos os leitores e visitantes. Muitíssimo obrigado! Ah, estou aberto a sugestões, elogios e, ou, críticas.

terça-feira, abril 25, 2006

Dias de Reflexão


Tenho tido longos dias e noites de reflexão, longos e proveitosos. Percebo que é hora de crescer, progredir e alcançar - ou pelo menos batalhar - novos e mais desafiadores objetivos. Busco mudanças em minha vida, no amor, no trabalho, na família. Não sou o mesmo, e agradeço muito por isso.

Domingo foi um dia fundamental de muita reflexão e também um dia de isolamento. Foi fundamental porque, no final, percebi várias sutis diferenças que já apareceram e outras estão aflorando em mim. Não sou criança, nem tenho a intenção ou o desejo de agir como um adolescente ou um adulto irresponsável. Cansei disso, de gente que age e pensa assim e cansei de muitas outras coisas. É certo que para isso tive que me afastar de alguns, diminuir o contato com outros tantos e buscar novos. Mas esta é a maré que eu quero seguir. Sinto muito que ainda existam pessoas que não entendem o outro quando este decide virar uma página e escrever outra nova. Quero meus amigos por perto, mas quero que entendam bem o que se passa.

Não quero mais alimentar futilidades em minha vida, quero novidades, verdade, vida, amor, presente e futuro. E é isto que tenho buscado e, graças a Deus, estou conseguido aos poucos.

Gosto de pensar que as coisas só acontecem no momento em que devem acontecer, mas sei também que devemos ser agentes dos nossos próprios caminhos e que não dá para viver sempre na chamada "zona de conforto.". E isso muita gente faz. Eu mesmo passeio muito tempo ancorado na zona de conforto em que minha vida se encontrava. Agora já não dá e nem quero mais isso. Preciso de mudanças e estou promovendo-as em minha vida.

Tenho os meus objetivos pessoais e profissionais de vida e quero alcançá-los logo, sei que assim novos aparecerão e terei mais uma vez a oportunidade de continuar em frente.

Quero ter maior independência financeira, trabalhar em minha área, procurar meu próprio canto, cuidar de mim mesmo e, quem sabe, daqui a alguns anos constituir minha família. Isso tudo tem hoje um peso muito grande em minhas decisões. Por isso decidi continuar os estudos sem uma pausa e logo começarei um MBA, por isso reservo grande parte de meus rendimentos para investir em educação e espero ser recompensado por tanto esforço. Sei de minhas capacidades e competências e estou indo à luta.

O fato é que me sinto mais seguro, tranqüilo e maduro do que nunca. Tenho dedicado meu tempo livre à leitura e escrita, meus passatempos prediletos e isto alivia a alma. Os dias são longos, mas o amanhã já não é mais tão incerto. E esse pensamento é reconfortante. Espero agora apenas que a Vida seja mais justa e que os esforços sejam, de fato, recompensados. Enquanto isso continuo fazendo a minha parte.

domingo, abril 23, 2006

O Primeiro Encontro }{ Conto


Ela veio. Não consegui reagir de imediato. Devo ter ficado uns dois minutos contemplando sua beleza através do olho mágico da porta. Ela tocava a campainha com aquele que eu defini de imediato como sendo o mais lindo dedo indicador com unha pintada de rosa que eu jamais vi na vida, e eu, de tão absorto em sua imagem, não ouvia. Só um sentido funcionava, somente a visão. E estava ótimo, não precisaria mais de sentido algum, se fosse para contempla-la por toda a vida.

Toc! Toc! Ela resolveu bater na porta. E com isso, como o despertar de um sonho intenso eu volto à consciência e percebo, quase instantaneamente, o óbvio. Tenho que abrir a porta. A última fronteira, o último obstáculo que me separa de teu cheiro, tão sonhado e imaginado cheiro. Alguns pensamentos voam pela minha mente durante os rápidos segundos em que giro a maçaneta e abro a porta. Dou um conselho a mim mesmo: calma garoto, calma.

Eis que um sorriso estonteante se abre e eu, já recuperado do choque, retribuo e desculpo-me pela demora. Digo a verdade. Conto que sua imagem havia me paralisado atrás do olho mágico e ela abre um outro lindo sorriso, desta vez acompanhado da mais afinada das gargalhadas de todo o mundo.
Ela diz: - Acho que pessoalmente você pode ver melhor, não?
Nada posso fazer a não ser rir, concordar veementemente e convidá-la a entrar.

Meu apartamento não é um luxo, mas vive em harmonia comigo, ou seja, tem tudo o que eu sempre quis e é decorado detalhadamente. São apenas dois quartos, sendo um suíte, um pequeno corredor, banheiro social, ampla sala de estar - eram duas, uma de estar e outra de jantar, mas meses atrás demoli a parede e ampliei meu espaço -, cozinha americana e uma varanda aconchegante com uma bela vista. Percebo que ela surpreende-se com a organização, limpeza e aspecto leve da sala. Ela me diz que achou tudo muito bonito e que não esperava isso de um homem solteiro. Convido-a a sentar. Como já sabia que ela aprecia um bom vinho chileno, dias atrás já havia comprado duas garrafas de um tinto meio-sêco, uma destas descansava sossegadamente em um balde com gelo estrategicamente colocado a sua frente, as respectivas taças ao lado. Costumo ser bastante prático e racional, mas algo insistia em me dizer que por uma noite, esta noite, a emoção me dominaria por inteiro.

Ainda sem trocar palavras, sento-me ao seu lado, retiro o vinho do balde, abro e sirvo as duas taças. Ofereço um brinde. Erguemos as taças e concluo: - Ao primeiro encontro. Por um breve instante acreditei haver visto uma faísca passar pelos teus belos olhos castanho-esmeralda. Penso: "Deus, como é linda.". Pele morena clara, cabelos ruivos e levemente encaracolados deitados sobre todo o corpo até a altura da cintura, dona de maravilhosos um metro e sessenta e cinco centímetros, boca carnuda, olhos vibrantes, rosto expressivo e seios deliciosamente perfeitos. Ela deixa um aroma quente, caliente, fogoso e cheio de tesão no ar. Sinto-me embriagado e sei que a culpa não é daquele ínfimo primeiro gole de vinho, a culpa é dela. Uma culpa gostosa, que percebo deixa-la radiante.

Conversamos um pouco sobre trivialidades. Ela me diz que adorou a decoração da sala e eu a convido para conhecer os demais cômodos. Voltamos e decido colocar uma boa música. Pergunto o que ela quer ouvir, e ouço a tranqüila resposta: - Quero ouvir a sua música romântica predileta. Pego de surpresa, concordo e coloco o CD na faixa pedida. A música é Your Love Is King de Sade. Pronto. Devolvida a surpresa, ela põe-se de pé, enche nossas taças e caminha em minha direção. Apenas quatro passos, mas eu juro que vi um desfile inteiro e particular em minha sala de estar. Uma deusa de saia curta, com belas coxas à mostra, salto alto, decote generoso e olhar fulminante. Ela diz: - Você me encantou e só estou aqui a trinta minutos. Dou-lhe um beijo. Um beijo quente, úmido, safado e delicado. Um beijo como a ocasião, o vinho, a música e a mulher pediam. E este fora apenas o primeiro, duma noite cheia destes.
Decidimos esquecer o jantar por ora e nos entregar ao vinho e à nossas bocas. Trocamos o CD pelo DVD, sala por quarto, sofá por cama. Só não trocamos o vinho, nosso cúmplice etílico e envelhecido do momento sublime do beijo e do amor.

Como dois adolescentes carentes e insaciáveis, nos entregamos sem pudores um ao outro. Os beijos agora não contentavam-se apenas com a boca do outro, os beijos eram vorazes e queriam mais. E assim demos mais. Uns beijos queriam orelhas e pescoços. Outros seios e barrigas. Os mais abusados queriam o sexo. E os beijos beijavam sem parar. Beijos maduros e firmes. Logo haviam roupas espalhadas por cada um dos quatro cantos do quarto e o DVD, este nós nem víamos ou ouvíamos mais. E as bocas, ainda não saciadas, deleitavam-se com os corpos e o vinho. Sim, o vinho, outrora cúmplice agora era um de nós e pintava nossas peles com sua escura rubra cor até encontrar alguma boca sedenta de sede e tesão.

Era sublime o sexo. Quente e descontrolado, mas ainda assim, maduro e consciente. Mesmo com o vinho entre nós, ainda consciente. O tempo, nosso inimigo, parecia dormir e os minutos eram horas e as horas, dias. Eu agarrava seus cabelos e recebia sorrisos e gemidos de presente. Mordia seios e ganhava arranhões de unhas rosas. Ela me engolia e eu lhe doava gritos de prazer. Não havia sexo melhor, este era o melhor. O suor que nos banhava era como combustível e nos mantia acesos e ainda insaciáveis. Mais sexo. Mais beijos. Mais vinho. Mais gemidos, sussuros, mais tesão. Quando a sanidade nos foi devolvida, quando os corpos estavam saciados e quando as bocas relaxaram, dormimos nus, agarrados e felizes.

E, somente horas depois da melhor noite de sexo de nossas vidas, voltamos ao mundo e despertamos de nosso sono sem sonhos. Ainda estávamos exaustos. Mais um beijo. Fomos nos banhar juntos e lavamos um ao outro como um pai ao filho, mas com o desejo explosivo de amantes secretos. Logo não era mais um simples banho, mas novamente sexo. Muito, muito quente. Tão quente que, nem mesmo a fria água a cair em nossos corpos, esfriava o tesão que queimava em nós. Ela enlaçou meu corpo com seu escultural par de pernas e, após fundir-se em mim, pôs-se a beijar-me loucamente. Nos amamos entre sussurros, gemidos e gritos, desconfortável, mas deliciosamente em meu box até o gozo de ambos. Nos rendemos ao mais prazeroso cansaço e terminamos o banho. O box com os vidros suados de nosso calor, exibia relatos escritos por nossas mãos que escorregaram sobre ele enquanto nos amávamos.

Fomos almoçar o jantar e bebericar nossa segunda garrafa de vinho meio-sêco chileno, que agora bebíamos em taças convencionais, afinal, já não éramos mais conquistadores. Já éramos conquistados. Pelo sexo primeiro, para depois quem sabe, pelo amor.

Leonardo Araújo, 23 de fevereiro de 2006.

quinta-feira, abril 20, 2006

Seda de Leite }{ Poema


Pense em leite
Ao cair pelo corpo
Que corpo, teu corpo
Deleite, prazer

Qual sentido há
Quando põe a banhar
Em seda pura a tua pele
Que límpida reflete
Todo o tesão a florescer

Doce de leite
A cobrir os centímetros
Todos que existem em ti
Agora a mais saborosa das peles

Que a seda não esconda
Nem oculte ou tente
Entenda seda como cobertor
Apenas para os cantos do amor
Onde possas deitar

Mistura, impura ou pura, não sei
Mas quero, sim quero
Seda em leite, doce em corpo
Corpo em corpo e sabores a sentir

Um copo de leite
Uma tigela de doce
Um canto vestido em seda pura
Para corpos receber
E, enfim, adocicar o prazer. O nosso.

Leonardo Araújo, 30 de Setembro de 2004.

quarta-feira, abril 19, 2006

Vadia }{ Poema


Belas meninas, esquinas,
Sarcasmo e solidão
Belas meninas se vendem sozinhas
E sofrem como o cão

Ah! Esta vida vadia, cadela,
Que bela essa compaixão
Ah! Esta escolha é sua, e nua
É o seu trabalho então

Sai dessa vida mulher,
Não tem o que quer
E sofre sem paixão
Você é mulher vadia,
Que o vício vicia
E mata seu coração

Sei que isso você quer
Só que assim não é
E você não sai não
Sei que você tem que sofrer
Sofrer pra aprender
A aprender a viver então

Vai trabalhar sua vadia
Que a noite inicia
E tem gente aí

Vai caçar teu sustento
Viver ao relento
Ser vadia em sua vida vadia enfim.

Leonardo Araújo, 1º de fevereiro de 2003.

_ Post script:

Escrito em 2003, o poema foi fruto de uma época em que, para ir à faculdade, eu tomava apenas o caminho que seguia pela orla marítima de Salvador, da região de Patamares ao Jardim de Alah. Todos os dias, durante o trajeto eu via dezenas de mulheres "ganhando a vida" à beira da estrada. Algo me incomodava, pois eu percebia que naquela vida, naquela forma de sobreviver, não poderia haver felicidade e sim sofrimento, muito.

Este poema é fruto desta minha inquietação com o silêncio da voz que cala oprimida.

terça-feira, abril 18, 2006

O Amor }{ Conto


Mais um feriado, desta vez uma quarta-feira, e ele estava novamente em seu banco preferido da praça ao ler aquele interminável, mas maravilhoso, livro. Teria sido um dia comum, com as horas passando vagarosamente se algo impressionante não tivesse acontecido. Carlos é um jovem pacato, de apenas 22 anos, alto e bonito, não costuma sair muito, gosta de ler e é muito talentoso com a escrita, mas aquele fato realmente viria a mudar toda a sua vida dali por diante.

Já passava das 16 horas quanto ele sentiu um aroma indefinível e delicioso pairar sobre toda a área a sua volta, no minuto seguinte estava completamente apaixonado, aquela seria a grande paixão de toda a sua vida. Ao olhar instintivamente para tentar descobrir de onde vinha aquele cheiro divino, ele avistara uma belíssima jovem, apenas um ano mais velha, de cacheados cabelos ruivos, olhos verdes e sedutores, quase tão alta quanto ele e dona de um corpo bem formado e belo. Seu coração, aos pulos, o fez levantar de sobressalto, o que chamou a atenção de outras pessoas e daquela linda jovem. Ao perceber que havia atraído olhares indiscretos para si, voltou-se a sentar e continuou, discretamente, a observar a garota. Não sabia de onde ela era, seu nome, absolutamente nada de sua vida, mas já estava apaixonado. E a paixão o fez ter uma grande atitude, talvez o momento de maior coragem de toda a sua vida tenha ocorrido ali, naquela praça, naquele lindo dia de verão.

Carlos então levantou-se calmamente e dirigiu-se a garota, estava decidido a conhece-la e sabia que tudo poderia acontecer, talvez ela passasse a amá-lo depois que o conhecesse. Chegou a ela, pediu permissão para sentar-se ao seu lado e apresentou-se. Clara o seu nome, que lindo, tem tudo a ver com sua fisionomia serena, ele pensou. Conversaram por algum tempo, mas ela já devia estar em casa e logo se foi. Carlos no entanto, pediu para acompanhá-la, ao ver que ela relutou um pouco ele decidiu convidá-la para jantar. Para seu espanto o convite foi aceito e os detalhes acertados. Iriam encontrar-se no banco onde conheceram-se, às vinte horas do sábado seguinte. Trocaram telefones e despediram-se.

Não preciso dizer que os minutos eram como horas e que os dias tornaram-se semanas desde aquele momento até o jantar. Clara estava um pouco excitada com a situação de jantar com um estranho, mas isso era um desafio e ela não fugia jamais a um bom desafio. Também havia sentido uma certa atração por Carlos, sua serenidade e força na voz a deixaram encantada.

Carlos praticamente não dormiu na noite de sexta-feira, véspera do encontro, mas ainda assim levantou disposto e passou o dia a preparar-se para o jantar, já havia feito reserva, ligou para confirmar e só então tranqüilizou-se um pouco. Escolhera um dos melhores restaurantes da cidade, com uma espetacular vista para o mar, ambiente acolhedor e bastante romântico. Havia lindos arranjos de rosas e tulipas em todas as mesas, a luz era sombria e o cheiro das rosas pairava no ar, como se estivesse sendo seguro por alguma força mágica. Um aconchegante salão de dança postava-se ao centro das mesas que formavam um semicírculo que fechava-se com o pequenino e clássico palco, a música era ditada por um grupo que tocava valsas suaves e jazz. Estava muito feliz, tinha a absoluta certeza de ter achado a mulher de sua vida, fechava os olhos e seu sorriso surgia como um por do sol em uma tarde de céu límpido e ar puro. Ela é belíssima pensava, pelo pouco que conversaram lhe parecia ser uma mulher de personalidade forte e segura, decidida. Gostava de mulheres decididas. Ao pegar-se pensando em Clara pela milésima vez, ele teve a certeza de que estava apaixonado. Agora era mergulhar de cabeça e torcer para tudo dar certo.

Carlos vestira-se com sua melhor roupa e perfumou-se suavemente, estava muitíssimo elegante. Clara, por sua vez, não havia poupado horas a preparar-se. Ela estava imponente em um lindo vestido longo de cor vermelha, cabelos presos no alto da cabeça de forma a deixar seu pescoço bem delineado e suas pequenas e charmosas sardas às vista, estava radiante.

O encontro, para quem pode conferir, parecia algo cinematográfico. Eles encontraram-se e cumprimentaram um ao outro com suaves beijos em suas faces. Antes haviam deixado uns minutos passarem ao contemplar-se. O cavalheiro entregou o buquê de cravos estupidamente vermelhos, sorriu e pensou: "será que ela sabe o significado que há em dar cravos de presente?". Pareceu-lhe que sim. O largo sorriso de Clara, que deixara à mostra seus belos dentes, o dava a certeza disso. Carlos estendeu o braço e Clara o segurou. Seguiram para o carro e de lá para o restaurante.

Divina foi aquela noite para os dois jovens corações, as horas foram poucas, porém intensas. Os detalhes, o vinho, as rosas, o mar prateado que refletia uma Lua cheia lindíssima e exuberante, que parecia exibir-se, declarava que aquele momento pertencia ao Amor e que ambos deveriam entregar-se.

À certa altura, Carlos a convidou e foram dançar, era uma música romântica que os envolveu e fez com que ambos se deixassem levar de forma suave, como se o mundo inteiro houvesse desaparecido. Era como se naquele momento só existissem os dois, o perfume, a música e o toque de suas mãos e corpos. Quando enfim os olhos se cruzaram, seus lábios se encontraram em um beijo caloroso e cheio de paixão. Os corações pulsavam como jamais haviam o feito antes. Uma emoção sem igual invadiu aquelas almas e eles eram um só, agora e sempre. Todo aquele clima mágico, afogado em Amor e cumplicidade fizeram com que eles, a partir de então, jamais se separassem.

Ao final daquela noite, os dois, em suas camas, estavam com os pensamentos em seu par. Dormiram tão bem como nunca, pois sabiam, haviam encontrado sua outra metade. Chegara ao fim a procura incansável e silenciosa pelo maior presente de Deus, o Amor.

Leonardo Araújo, 25 de fevereiro de 2004.

segunda-feira, abril 17, 2006

A era do garrancho


Às vezes acho que sou meio louco. Sabe ter aquelas idéias doidas de repente? Sou um cara que viaja legal na maionese. Isso dever ser resquício da faculdade de publicidade, porque não só eu, mas alguns outros colegas e amigos também são assim.

Outro dia me peguei pensando em quanto tempo faz que não escrevo um texto inteiro à caneta, no papel, na mão grande mesmo. Rascunhos e rabiscos não contam. O fato é que eu não faço a mínima idéia de quando isso aconteceu. Tenho até medo da caligrafia dos meus futuros filhos - serão dois espero - e netos - aí não é mais comigo. Ainda bem que minha letra não é feia, sempre procurei melhorar e hoje estou quase satisfeito.

Maldito - ou será bendito? - Microsoft Word. Por um lado acho que nos tornamos muito mais preguiçosos, por outro acho que não, pois agora produzimos muito mais, em menos tempo, de forma mais eficiente e ainda temos dezenas corretores ortográficos e dicionários online. Se minha professora de português durante a faculdade fosse visitante deste blog ela teria um enfarto agora mesmo ao ler isso. Calma professora, eu não costumo recorrer a estes artifícios e, sim, eu aprendi a escrever muito bem obrigado.

Eu conheço muita gente, amigos e parentes, que tem letras horríveis. E muitos deles nem foram educados em escolas de ponta, com computadores desde cedo afinal isso nem seria possível em pleno anos oitenta no Brasil.

Enfim, as perguntas que ficam deste post são as seguintes:

1 - Com o boom tecnológico em que vivemos, tendo escolas cada vez mais informatizadas, será que nossos netos chegarão a conhecer o prazer de rabiscar uma Bic em papel?

2 - E a caligrafia deles, será que teremos publicitários, engenheiros e até professores com letras de médico por aí?

Observação: Comunidade médica, não se ofendam. Apenas usei o mito urbano de que muitos de vocês têm letras indecifráveis em receitas médicas. Mas creiam, foi apenas para servir de exemplo.

Espero respostas. Até a próxima.

domingo, abril 16, 2006

Eu não sei


Definitivamente, eu não sei. Não sei mais de mim, não sei mais de você, de nós não sei. O sopro que me resta e impulsiona é fruto do desejo de saber que já esta quase a findar, eu acho, mas não sei. Nem isso, a força que me resta, nem isso eu sei.

E sem saber, como saberei eu não sei. E não sabendo saber ou se saberei de você, como posso esperar algo de nós? É triste o não saber, é vazio o não saber. Então isso quer dizer que estou triste ou vazio ou ambos? Eu não sei. E acho que nem tentando, hoje eu saberei.

E o que houve para meu nada saber, eu não sei. As palavras são confusas, mas o calor não. Eu acho, apenas acho, pois não sei dizer se o que sei é algo que apenas eu saberei. Pois se assim for, brotou a unilateralidade aqui. E esta só findará com a chegada do saber em mim. E se isso vai acontecer eu não sei. Eu não. Você sim.

Por hora tudo o que sei é que, sobre isto, ainda nada sei. E nem mesmo sei se saberei.

Fim.

[ Me inscrevi no CokeRing, a partir de hoje, textos novos sempre! ]

quarta-feira, abril 12, 2006

Cara pintada

Até que enfim consegui terminar um novo template para o blog. O antigo já tinha mais de um ano, acho que quase dois! Eu já estava mais que enjoado dele.

A nova cara é uma homenagem á nossa gloriosa seleção, que este ano irá - e eu tenho fé nisso - conquistar o hexa campeonato mundial de futebol.

Ainda faltam algumas modificações, inclusões de mais algumas páginas, mas logo tudo estará pronto.

E creiam, estou voltando ao mundo dos blogs com força total!

quarta-feira, abril 05, 2006

Enfim, uma novidade.

Ontem foi bem legal na academia. Agora estou mudando minha programação, vou malhar segundas, quartas e sextas e participar do curso de forró nas terças e quintas. Afinal de contas eu preciso aprimorar a técnica, não é?

A melhor parte de participar do curso de forró é que rola uma integração entre todos nós. Sei que no final - e ontem já mostrou isso - acabaremos todos, ou quase todos, nos tornando amigos. Sei também - e isso foi dito ontem - que sempre vão acontecer encontros da turma em bares e festas para todo mundo poder colocar em prática os passos aprendidos na "sala de aula".

Perceberam o quanto me empolgo rápido? Mas isso é só porque não tem acontecido novidades em minha vida. Aí, a primeira que vem, me deixa logo contente. A outra parte boa é que sempre vamos ter muito mais mulheres do que homens na aula de forró, isso já é quase uma tradição. Adorei essa.

terça-feira, abril 04, 2006

A palavra é "ação".

É, sei que estou muito afastado deste querido blog, mas é que não tenho tido a inspiração necessária para postar sempre. Agora mesmo estou completamente sem noção do que dizer. Na contramão anda o fotolog, que tenho atualizado religiosamente todo dia. Mesmo quando não estou com saco. Também estou cansado deste layout, mas ainda assim não tive o ânimo necessário pra fazer um novo. Bom, vamos mudar de assunto.

O fato é que estou passando por um momento novo e delicado. Muita coisa pra pensar, muitas atitudes a tomar, muita gente pra esquecer e muita coisa nova pra conhecer. Semana passada eu e toda a equipe daqui do trabalho fomos enviados para um workshop motivacional que tinha como título: Potencializando os Resultados Através das Pessoas. As orientadoras eram duas psicólogas. Logo pensei: "Eba! Chegou a hora". Pensei e assim foi.

Depois do primeiro dia eu estava arrasado, massacrado, diminuído, e, ainda assim, contente com o resultado. Elas conseguiram mexer em muitas coisas minhas e de meus amigos e colegas. O que me levou a, logo após o final do curso, ter uma conversa com ambas para pedir um feedback. Gostei do que ouvi. Apesar de contratadas pela empresa, elas são bastante claras e independentes em suas idéias. Eu havia tomado uma decisão importante no dia anterior e, ao compartilhar com elas, ouvi que isso era o mais correto a fazer. Então decidi de vez dar a cara a tapa. Também assumi um novo lema: "Inércia alimenta inércia, ação gera reação". Minha decisão foi ousada e inédita. Vou contar.

Sou formado em comunicação com habilitação em publicidade, logo sou publicitário. Estou começando um MBA em marketing e correndo atrás dos mais diversos cursos. Durante os últimos cinco anos tenho trabalhado no Departamento Comercial de uma grande empresa baiana, que faz parte de uma holding nacional do setor elétrico. Sou responsável pelo faturamento, fluxo de informações da empresa com os poderes públicos municipais e cadastro de um serviço de suma importância, ou seja, tenho cá minha visibilidade. Mas sabe quando a gente quer mais, quando sabemos que chegamos no limite. Estou com essa sensação. Por isso, ontem eu enviei algumas cartas e currículos para as áreas de comunicação da empresa. Ousei. Isso é algo realmente delicado. Pode parecer simples, mas não é. A cultura na empresa não é essa. As coisas acontecem de outras formas aqui dentro, mas eu cansei de esperar e agi. Agora estou esperando uma resposta. Caso não venha nenhuma, já tenho outra ação mais ousada ainda pronta para ser executada.

Só peço uma coisa. Torçam pra tudo dar certo. Eu quero a minha transferência.

(...)

No mais, tudo indo mais ou menos. A vida anda chata. A academia é que ainda salva o meu dia, pois, pelo menos lá eu vejo gente diferente e coloco a raiva e o estresse reprimido pra fora. E de quebra ainda fico mais saudável e, quem sabe daqui a algum tempo, sarado. Estou cansado de tudo e de quase todos. Com vontade de - literalmente - sumir. O coração do papai aqui parece até um diamante muitíssimo valioso, mas infinitamente duro. Precisando urgentemente de alguém que saiba lapidá-lo. Estou cansado de um monte de coisa e de um monte de gente. Preciso de novos amigos, lugares, novas risadas e estou agindo nesse sentido também. Espero que, ao final deste meu processo transitório, tudo fique melhor.