Vadia }{ Poema

Belas meninas, esquinas,
Sarcasmo e solidão
Belas meninas se vendem sozinhas
E sofrem como o cão
Ah! Esta vida vadia, cadela,
Que bela essa compaixão
Ah! Esta escolha é sua, e nua
É o seu trabalho então
Sai dessa vida mulher,
Não tem o que quer
E sofre sem paixão
Você é mulher vadia,
Que o vício vicia
E mata seu coração
Sei que isso você quer
Só que assim não é
E você não sai não
Sei que você tem que sofrer
Sofrer pra aprender
A aprender a viver então
Vai trabalhar sua vadia
Que a noite inicia
E tem gente aí
Vai caçar teu sustento
Viver ao relento
Ser vadia em sua vida vadia enfim.
Leonardo Araújo, 1º de fevereiro de 2003.
_ Post script:
Escrito em 2003, o poema foi fruto de uma época em que, para ir à faculdade, eu tomava apenas o caminho que seguia pela orla marítima de Salvador, da região de Patamares ao Jardim de Alah. Todos os dias, durante o trajeto eu via dezenas de mulheres "ganhando a vida" à beira da estrada. Algo me incomodava, pois eu percebia que naquela vida, naquela forma de sobreviver, não poderia haver felicidade e sim sofrimento, muito.
Este poema é fruto desta minha inquietação com o silêncio da voz que cala oprimida.


1 Comentários:
Legal. Gostei do poema!
Lembre-se de me convidar para a noite de autografos, quando você escrever o seu livro, ok?
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