terça-feira, abril 18, 2006

O Amor }{ Conto


Mais um feriado, desta vez uma quarta-feira, e ele estava novamente em seu banco preferido da praça ao ler aquele interminável, mas maravilhoso, livro. Teria sido um dia comum, com as horas passando vagarosamente se algo impressionante não tivesse acontecido. Carlos é um jovem pacato, de apenas 22 anos, alto e bonito, não costuma sair muito, gosta de ler e é muito talentoso com a escrita, mas aquele fato realmente viria a mudar toda a sua vida dali por diante.

Já passava das 16 horas quanto ele sentiu um aroma indefinível e delicioso pairar sobre toda a área a sua volta, no minuto seguinte estava completamente apaixonado, aquela seria a grande paixão de toda a sua vida. Ao olhar instintivamente para tentar descobrir de onde vinha aquele cheiro divino, ele avistara uma belíssima jovem, apenas um ano mais velha, de cacheados cabelos ruivos, olhos verdes e sedutores, quase tão alta quanto ele e dona de um corpo bem formado e belo. Seu coração, aos pulos, o fez levantar de sobressalto, o que chamou a atenção de outras pessoas e daquela linda jovem. Ao perceber que havia atraído olhares indiscretos para si, voltou-se a sentar e continuou, discretamente, a observar a garota. Não sabia de onde ela era, seu nome, absolutamente nada de sua vida, mas já estava apaixonado. E a paixão o fez ter uma grande atitude, talvez o momento de maior coragem de toda a sua vida tenha ocorrido ali, naquela praça, naquele lindo dia de verão.

Carlos então levantou-se calmamente e dirigiu-se a garota, estava decidido a conhece-la e sabia que tudo poderia acontecer, talvez ela passasse a amá-lo depois que o conhecesse. Chegou a ela, pediu permissão para sentar-se ao seu lado e apresentou-se. Clara o seu nome, que lindo, tem tudo a ver com sua fisionomia serena, ele pensou. Conversaram por algum tempo, mas ela já devia estar em casa e logo se foi. Carlos no entanto, pediu para acompanhá-la, ao ver que ela relutou um pouco ele decidiu convidá-la para jantar. Para seu espanto o convite foi aceito e os detalhes acertados. Iriam encontrar-se no banco onde conheceram-se, às vinte horas do sábado seguinte. Trocaram telefones e despediram-se.

Não preciso dizer que os minutos eram como horas e que os dias tornaram-se semanas desde aquele momento até o jantar. Clara estava um pouco excitada com a situação de jantar com um estranho, mas isso era um desafio e ela não fugia jamais a um bom desafio. Também havia sentido uma certa atração por Carlos, sua serenidade e força na voz a deixaram encantada.

Carlos praticamente não dormiu na noite de sexta-feira, véspera do encontro, mas ainda assim levantou disposto e passou o dia a preparar-se para o jantar, já havia feito reserva, ligou para confirmar e só então tranqüilizou-se um pouco. Escolhera um dos melhores restaurantes da cidade, com uma espetacular vista para o mar, ambiente acolhedor e bastante romântico. Havia lindos arranjos de rosas e tulipas em todas as mesas, a luz era sombria e o cheiro das rosas pairava no ar, como se estivesse sendo seguro por alguma força mágica. Um aconchegante salão de dança postava-se ao centro das mesas que formavam um semicírculo que fechava-se com o pequenino e clássico palco, a música era ditada por um grupo que tocava valsas suaves e jazz. Estava muito feliz, tinha a absoluta certeza de ter achado a mulher de sua vida, fechava os olhos e seu sorriso surgia como um por do sol em uma tarde de céu límpido e ar puro. Ela é belíssima pensava, pelo pouco que conversaram lhe parecia ser uma mulher de personalidade forte e segura, decidida. Gostava de mulheres decididas. Ao pegar-se pensando em Clara pela milésima vez, ele teve a certeza de que estava apaixonado. Agora era mergulhar de cabeça e torcer para tudo dar certo.

Carlos vestira-se com sua melhor roupa e perfumou-se suavemente, estava muitíssimo elegante. Clara, por sua vez, não havia poupado horas a preparar-se. Ela estava imponente em um lindo vestido longo de cor vermelha, cabelos presos no alto da cabeça de forma a deixar seu pescoço bem delineado e suas pequenas e charmosas sardas às vista, estava radiante.

O encontro, para quem pode conferir, parecia algo cinematográfico. Eles encontraram-se e cumprimentaram um ao outro com suaves beijos em suas faces. Antes haviam deixado uns minutos passarem ao contemplar-se. O cavalheiro entregou o buquê de cravos estupidamente vermelhos, sorriu e pensou: "será que ela sabe o significado que há em dar cravos de presente?". Pareceu-lhe que sim. O largo sorriso de Clara, que deixara à mostra seus belos dentes, o dava a certeza disso. Carlos estendeu o braço e Clara o segurou. Seguiram para o carro e de lá para o restaurante.

Divina foi aquela noite para os dois jovens corações, as horas foram poucas, porém intensas. Os detalhes, o vinho, as rosas, o mar prateado que refletia uma Lua cheia lindíssima e exuberante, que parecia exibir-se, declarava que aquele momento pertencia ao Amor e que ambos deveriam entregar-se.

À certa altura, Carlos a convidou e foram dançar, era uma música romântica que os envolveu e fez com que ambos se deixassem levar de forma suave, como se o mundo inteiro houvesse desaparecido. Era como se naquele momento só existissem os dois, o perfume, a música e o toque de suas mãos e corpos. Quando enfim os olhos se cruzaram, seus lábios se encontraram em um beijo caloroso e cheio de paixão. Os corações pulsavam como jamais haviam o feito antes. Uma emoção sem igual invadiu aquelas almas e eles eram um só, agora e sempre. Todo aquele clima mágico, afogado em Amor e cumplicidade fizeram com que eles, a partir de então, jamais se separassem.

Ao final daquela noite, os dois, em suas camas, estavam com os pensamentos em seu par. Dormiram tão bem como nunca, pois sabiam, haviam encontrado sua outra metade. Chegara ao fim a procura incansável e silenciosa pelo maior presente de Deus, o Amor.

Leonardo Araújo, 25 de fevereiro de 2004.

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